Construtivismo Radical e Psicoterapia    1:28
Von Glaserfeld
Porquê o Construtivismo Radical    2:59
Von Glaserfeld

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Born 1917 in Munich, is a philosopher, and is Emeritus Professor of Psychology at the University of Georgia, Research Associate at the Scientific Reasoning Research Institute, and Adjunct Professor in the Department of Psychology at the University of Massachusetts, Amherst.
In his long and still very active life Ernst von Glasersfeld has collected a variety of experiences, which together with his profound knowledge of several languages has led to the formulation of radical constructivism.
Ernst von Glasersfeld is the author of more than 280 publications. Browse his books, journal articles, book chapters, or other publications. If you want to find a particular publication please use the search engine below. As of February 2006, this is the official bibliography which reflects recent changes in the numbering of the publications.

Eu não estou envolvido nisso, e não gostaria de me intrometer no que os terapeutas andam a fazer. A única coisa que posso dizer é que penso que o construtivismo radical, para a pessoa comum, poderia ser uma espécie de terapia porque se as pessoas começassem a pensar de uma maneira construtivista, então aperceber-se-iam que as suas vidas se tornariam mais fáceis e certamente mais agradáveis e uma das razões é que, quando você entra realmente no pensamento construtivista, você apercebe-se que não tem que ter razão ou estar certo, não tem que convencer as pessoas de que a sua maneira é a melhor maneira. Se funciona para si, isso é perfeitamente bom o suficiente e isso poupa uma quantidade incrível de energia. Se você for a qualquer festa, ou a qualquer sítio onde as pessoas interagem umas com as outras conversando, você vai ver que metade da energia é gasta em tentar convencer o outro que você tem a ideia certa/correcta e isso é um desperdício de esforço. Então enquanto/sendo construtivista você pode relaxar. Se as pessoas lhe perguntarem você pode responder às suas perguntas, mas se não lhe perguntarem, bom isso é com elas.

Porquê o Construtivismo Radical
Bom, permita-me voltar à pergunta que me pôs originalmente acerca de…do que é que era? - Sabedoria. Sabe, eu escrevi isto várias vezes e disse-o com frequência, eu estou interessado no construtivismo radical porque me parece que é uma forma de delimitar o campo do pensamento racional desde o seu interior. Podemos como que apalpar terreno até sentirmos os limites e há muitos limites nos quais esbarramos desde logo. Um deles é, por exemplo, a consciência. Não temos um modelo racional do que é a consciência e eu não acredito que alguma vez tenhamos um – mas isto é uma crença pessoal, não o posso provar, é uma suposição. Não temos um modelo da memória de momento, podemos vir a ter mas de momento é um limite. E porque é que estou interessado em explorar desde o interior as fronteiras do pensamento racional? Porque penso que o que jaz no seu exterior é muito mais importante. Eu penso que os místicos, os insights dos místicos são de longe mais importantes do que qualquer insight racional. Mas racionalmente não podemos falar sobre eles e aquilo a que eu me oponho são místicos, ou metafísicos, que me tentam convencer racionalmente que têm razão. Isso é um disparate total, eles não podem de todo fazer isso, podem sim tentar mostrar-me as suas belas metáforas irredutíveis e pode ser que eu goste delas e é assim que tenho de ser convencido, muito à semelhança do que disse Vico, é sabedoria poética e se eu gostar da poesia talvez eu aceda à sabedoria.

Ser um construtivista
Os construtivistas, vocês não têm de pensar que todas as outras pessoas têm de ser construtivistas. Leva muito tempo a entrar no pensamento construtivista, não é algo que após uma palestra nos tornamos construtivistas. É um processo difícil, porque temos de remodelar praticamente tudo aquilo que pensámos e algumas destas remodelações são muito desagradáveis no início. Sabe, eu penso que a dificuldade inerente está em que para interagir com outras pessoas temos de conceber uma realidade inter-subjectiva, que não é uma realidade na qual as coisas existem por seu direito próprio mas sim uma realidade na qual os seus ideais se tornam mais ou menos compatíveis com os ideiais da outra pessoa.
 

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